O Porto está a ser fotografado como nunca antes. Cada esquina, cada azulejo, cada vista sobre o Douro — tudo capturado, filtrado, partilhado. After the Spectacle parte de uma constatação simples: a imagem do Porto já não pertence apenas à cidade — pertence ao espectáculo que a cidade alimenta e pelo qual é progressivamente consumida.
O projecto produz objectos em quantidade limitada, impressos em formato físico, colocados em pontos de mediação nas zonas turísticas e oferecidos à escolha activa do visitante ou do morador. O postal funciona como ponto de contacto entre dois regimes de experiência da cidade — o de quem habita e o de quem visita.
Curiosamente, o Instagram, no seu início, funcionou como uma cópia digital da estética instantânea da Polaroid. Agora fazemos um caminho inverso. Imitamos um scroll em formato analógico.
O gesto central do projecto é a escolha: o like é substituído pela mão que pega, pelos olhos que param, pela decisão de levar ou não levar. É uma experiência que as redes sociais, por definição, não conseguem reproduzir.